Nicolas Di Felice
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Nicolas Di Felice Deixa a Courrèges: O Designer que Devolveu Relevância à Maison

Nicolas Di Felice está deixando a Courrèges após cinco anos como diretor criativo. Para a marca, isso marca o fim de um capítulo importante, pois foi sob sua direção que a Courrèges voltou a se sentir como uma casa de moda viva novamente, e não apenas como um belo nome da história da moda francesa.

O designer anunciou sua saída no Instagram, onde compartilhou imagens do seu tempo na casa e refletiu sobre a experiência em uma declaração pessoal. Em seu post, ele escreveu: “Que aventura incrível! Ainda olho com muito carinho para o meu primeiro dia nesta casa maravilhosa, onde tudo precisava ser reconstruído do zero.” Depois, agradeceu a todos que participaram desse processo: “Quero agradecer sinceramente todas as pessoas que contribuíram – com seu talento e trabalho, de uma forma ou de outra – para o renascimento da Courrèges.”

Di Felice também mencionou aqueles que acreditaram nele e no próprio projeto: “Quero também expressar minha gratidão a todos que acreditaram em mim e neste projeto – François, François-Henri, estilistas, modelos, fotógrafos, jornalistas, compradores e tantos outros que nos apoiaram durante essa jornada.” Ele encerrou sua mensagem com as palavras: “Estou deixando a casa para me dedicar a outros projetos, mas guardarei para sempre memórias inesquecíveis dessa incrível trajetória, e desejo à casa todo sucesso para o futuro.”

Quando Di Felice chegou à Courrèges, a marca precisava de mais do que um novo designer – precisava de um novo ritmo. Ele conseguiu restaurar forma, identidade e visibilidade à casa. Ele não tentou transformar a Courrèges em um museu dos anos 1960, nem baseou seu trabalho em citações diretas do arquivo. Em vez disso, pegou alguns dos códigos essenciais da casa – vinil, geometria, barras curtas, sensualidade cool, clareza futurista – e os transformou em um guarda-roupa contemporâneo que voltou a ser relevante na conversa real da moda.

E, honestamente, isso pode ser dito sem idealizar seu tempo na marca: nem toda coleção foi igualmente forte. Pessoalmente, muitas delas me pareceram dolorosamente monótonas. Mas esse é exatamente o paradoxo – mesmo assim, Di Felice foi quem fez as pessoas voltarem a falar da Courrèges, e mais importante, a amá-la novamente. Não por escândalo, nem por um momento viral, mas por um retorno constante da marca ao discurso da moda. Ele tornou a Courrèges reconhecível, jovem e desejável de novo.

Se olhar para seus desfiles mais memoráveis para a casa nos últimos cinco anos, um dos mais importantes foi a Primavera de 2022. Foi nesse momento que ficou claro que a Courrèges sob sua direção não existiria como uma fantasia retrô do passado. Esta temporada foi onde a marca começou a parecer verdadeiramente viva novamente – mais física, mais ousada, mais aberta à energia jovem. Já continha a versão da Courrèges que Di Felice continuaria construindo: afiada, sensual, urbana e sem teatralidades desnecessárias.

Outono de 2023 foi outra temporada particularmente forte. Foi um daqueles desfiles em que as roupas não existiam separadamente do momento, mas pareciam se mover junto com ele. Havia uma tensão percorrendo a coleção que refletia a vida contemporânea – telas, distância, ansiedade, solidão na visibilidade constante. Di Felice é muitas vezes mais impactante justamente quando vai além do minimalismo polido e revela que por trás dessa clareza visual também pulsa o presente.

A primavera de 2024 também esteve entre suas temporadas mais fortes. Este desfile destacou sua habilidade em trabalhar com a construção e com o espaço ao redor das roupas. Ele sabia como fazer as peças parecerem controladas, quase severas, sem torná-las sem vida. Havia sempre um senso de disciplina na sua Courrèges, mas nunca uma frieza total, e esta temporada capturou isso especialmente bem.

A primavera de 2025 também merece ser destacada como um dos momentos-chave de sua gestão, pois mostrou com clareza sua força como designer de forma. Não foi um desfile movido por emoções explícitas, mas onde seu trabalho com linhas, cortes, união de elementos separados e o corpo em movimento tornou-se especialmente visível. Coleções assim explicam melhor por que sua era na Courrèges foi importante: ele não apenas renovou a marca visualmente, mas construiu uma nova linguagem plástica para ela.

O outono de 2025 merece menção especial como exemplo de como a Courrèges se tornou mais do que uma marca com roupas reconhecíveis – ela se tornou uma marca com sua própria atmosfera. Neste desfile, o sentimento de coletividade, presença, energia quase de clube, foi especialmente forte. Di Felice conseguiu criar não só uma estética ao redor da casa, mas um ambiente do qual as pessoas queriam fazer parte.

E claro, o outono de 2026 – seu último desfile pela Courrèges. Ele trouxe a sensação de uma conclusão, mas sem dramas exagerados. Parecia, sim, um encerramento preciso para cinco anos de trabalho: reunindo mais uma vez tudo o que ele construiu para a marca – sensualidade urbana, clareza gráfica, provocação contida, silhueta disciplinada – e dando um ponto final. Não foi um espetáculo de despedida guiado por grande emoção, mas sim um fim muito lógico para um designer que realmente devolveu relevância à Courrèges.

O mais importante que Nicolas Di Felice fez na Courrèges foi dar à marca uma razão contemporânea para existir novamente. Ele não se limitou a renovar os arquivos, tampouco colocou a casa no caminho de um retorno comercial polido. Ele lhe deu uma nova perspectiva, uma identidade mais afiada e uma nova geração de pessoas para quem a Courrèges voltou a fazer sentido. E mesmo que nem toda coleção convidasse a citações intermináveis, ele foi o designer que garantiu que essa casa de moda deixasse de se sentir silenciosa e voltasse a pulsar viva.

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